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Praga ameaça sobrevivência de palmeiras
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De acordo com o artigo de opinião de Raúl Rodrigues, PhD em Ciências Agrárias/Entomologia Agrícola, publicado na edição do jornal ‘Correio do Minho’ do passado dia 11, o gorgulho-das-palmeiras, também conhecido por escaravelho-das-palmeiras “é um inseto recente em Portugal, que ameaça destruir as palmeiras em todo o território” e que “a sua presença foi observada inicialmente no Algarve, em 2007, encontrando-se presentemente distribuído em quase todo o território continental”.

“Recentemente, a sua presença foi confirmada nos concelhos de Braga (Palmeira, Real, Dume, Cabreiros, Gondizalves, S. Lázaro e Ferreiros”, explica Raúl Rodrigues, acrescentando que “grande parte das árvores atacadas encontram-se num estado em que é impossível a sua recuperação, pelo que o seu abate é obrigatório por lei”.

De acordo com o artigo, entre as várias espécies de palmeiras atacadas, a mais apetecida pelo inseto é a palmeira-das-Canárias.

“Os sintomas do ataque do inseto, que podem ser visíveis nas primeiras fases de infestação, incluem a destruição de nova rebentação e o vergar das folhas mais antigas, o que dá à árvore um aspeto de ‘guarda-chuva’ (Ver foto – palmeira da esquerda). Numa fase mais avançada das infestações, os gorgulhos adultos já deixaram a árvore, podendo estes deslocar-se em voos de grandes distâncias (3 a 5 km), colonizando novas plantas”, pode ler-se no artigo.

“O reconhecimento por parte da União Europeia, da elevada nocividade que esta praga representa, levou a considerá-la como de luta obrigatória, tendo publicado a Decisão da Comissão 2007/365/CE, que estabelece as medidas a tomar para evitar a sua introdução e propagação no território. Esta decisão foi atualizada pela Decisão 2010/467/CE, que introduziu alterações relevantes, principalmente no que respeita à lista de plantas suscetíveis, tipo de medidas a aplicar e elaboração e execução dos planos de ação para controlo do inseto”, explica Raúl Rodrigues.

O autor prossegue dizendo que “compete aos proprietários a aplicação das medidas fitossanitárias de acordo com a legislação”.

“Em caso de deteção da presença da praga, os proprietários são obrigados a informar a respetiva Câmara Municipal ou a Direção Regional de Agricultura e Pescas, a fim de avaliarem a possibilidade de recuperação das palmeiras.

Se o inseto for detetado na fase inicial, as árvores podem ser tratadas com produtos químicos ou biológicos, com grande probabilidade de recuperação. Se as árvores estiverem irrecuperáveis, o proprietário é notificado para fazer o abate, cujo preço pode oscilar entre 300 euros e 1000 euros (dependendo do tamanho). O não cumprimento desta notificação implica o pagamento dos custos à entidade que execute o abate ficando o proprietário do terreno, sujeito a uma contraordenação que pode ir dos 100 euros aos 3740 euros, para particulares, ou dos 250 euros aos 44.890 euros, no caso de pessoas coletivas.

Dada a evolução verificada e a necessidade previsível de abate de um número considerável de exemplares nos concelhos minhotos, torna-se urgente que os municípios, em conjunto com as juntas de freguesia e Ministério da Agricultura, façam um diagnóstico o mais rápido possível acerca do estado sanitário das palmeiras, de forma a ser possível a eliminação das árvores irremediavelmente perdidas e o tratamento das que se encontram em fase inicial de colonização pelo inseto”, explica Raúl Rodrigues.



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